O avô observava o neto ao
computador, enquanto dormitava na cadeira de braços. Que tanto escreveria ele?
- Que fazes, Diogo?
- Estou a publicar fotos das férias
na rede de amigos…
- E tu já viste as deles?
- Quero lá saber disso!...
- Então, mas achas que eles
estão interessados nas tuas?
- Não!
Ontem vi o Lino no concerto;
que bem tocava!
Sem medo de cair num
lugar-comum, digo que Natal é todos os dias em que sei que uma palavra de
conforto está a um passo de um telefonema para ti, minha grande amiga.
O privilégio de sermos família sem
laços de sangue foi-se construindo ao longo deste trinta anos que partilhamos.
E que alegria ver a linhagem
expandir-se! E que honra sermos quatro gerações diferentes! Contarmos ainda com
a serenidade e exemplo de coragem da nossa querida avó! E porque no coração
cabe sempre mais um, “amigo dos meus amigos meu amigo é”! Obrigada por teres
vindo!
O tempo passa, mas o que é
verdadeiramente importante perdura e enraíza-se cada vez com mais profundidade.
Portas e coração sempre abertos
para vós!
Este blogue é um dos meus
objetivos para 2012. Começou por ser um exercício, uma forma metódica de pôr em
prática e exercitar a minha paixão pela escrita.
Mas, quando escrevemos, as
palavras ganham vontade própria, e levam-nos por caminhos que inicialmente não
havíamos planeado trilhar. Assim foi com os meus petiscos: de uma ideia vaga e
algo indefinida do que viriam a ser, transformaram-se numa espécie de divã de
psicanalista, diário público do meu dia-a-dia, dos meus humores, das minhas
sensações, de situações vivenciadas.
Ao mesmo tempo, com as receitas
de sábado fui fazendo um apanhado sistemático dos sabores que tão amiúde saem
da minha cozinha! Agora, cada vez que organizo um evento cá em casa, dou por
mim a verificar que o que vou preparar: “está no blogue!”, “está no blogue!”, “está
no blogue!”…
Mas como a cozinha, a escrita,
a vida em geral estão em constante movimento, há que experimentar novas receitas.
Esta é uma delas.
Coze-se um ramalhete bem
verdinho de brócolos em água e sal – ou despeja-se o conteúdo de uma embalagem
de brócolos congelados num pirex com tampa e vai ao micro-ondas para cozinhar
(menos poético mas mais pragmático!).
À parte, mistura-se, batendo com
a vara de arames: cebola picada, cenoura raspada, cogumelos, os brócolos já
cozinhados, dois ovos e um brick de
natas light. Tempera-se com sal,
pimenta e um pouco de noz-moscada.
Verte-se este conteúdo sobre
uma forma redonda forrada com massa quebrada.
Et voilà! Esta será uma das receitas cá do blogue que, a par de
algumas das já tradicionais, amanhã desfilará na minha cozinha!
Há momentos que são indizíveis!
Momentos de felicidade, que só podem ser sentidos, não ditos, que dizê-los
seria profana-los… e o sagrado é intangível!
São tão intensos, que se torna
impensável que o “foram felizes para sempre” fosse possível! E também por isso sabem
melhor; sabem a chocolate raro e exótico, derretendo-se na boca num êxtase de
sabor…
Segredo e sagrado… de mãos
dadas. Momentos felizes.
As decorações natalícias já
alegram a casa!
O pinheiro e o presépio são os
reis do salão, e os fios brilhantes dão um ar de gala a cada recanto. Da
aparelhagem de som, emana um sonoro lá-lá-lá-lá-lá, misturado com sinos e vozes
infantis.
O cheiro a açúcar e canela
purifica o ar, e evoca o sabor das guloseimas que estão a ser preparadas.
O pequeno Rui brinca em frente
à televisão, questionando-se se o Pai Natal terá recebido atempadamente o seu
pedido… Distraidamente, vai ouvindo também as notícias; até que… não pode ser!
Os seus olhos esbugalham-se num misto de surpresa e pânico; corre para a
cozinha (a mãe é sempre um reduto seguro):
- Mãe! Mãe! É verdade que não
existe… – nem consegue falar, com a excitação! – a obrigação de o Estado nos
dar tudo o que queremos?
Igor, que era um acérrimo
defensor da igualdade na barra dos tribunais, nas horas vagas era uma barra
nos passatempos de encontrar as diferenças…