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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Circo da vida

Senhoras e senhores, meninas e meninos! Benvindo ao circo da vida, respeitável público!
Temos feras e outros animais, domadores, palhaços… muitos palhaços!
E a maior atração do espetáculo: os ilusionistas: far-vos-ão acreditar que tudo é mais complexo que o que realmente é, hipnotizar-vos-ão até que façais tudo o eles ordenam, escravos das suas vontades; dar-vos-ão poder ilusório, e logo vos subjugarão com as suas capacidades superiores de ludibriar…  
Arriscado número – é verdade! – pois pode o feitiço virar-se contra o feiticeiro…
Mas é esta a magia do circo!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Temporais

Celestino andava sempre nas nuvens.
Como a vida era demasiado dura para ser enfrentada diretamente, preferia soltar a imaginação ao vento. No fundo, procurava escapar à nuvem negra de incertezas que pairava a cada instante sobre a sua cabeça, qual lâmina da guilhotina, pronta a cair...
É claro que, de tempos a tempos, caía das nuvens, ao constatar que a realidade era bem diferente dos seus devaneios. Nesses momentos, ia às nuvens e trovejava a sua raiva sobre os que o rodeavam.
Depois da tempestade… vinha a bonança.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor sem palavras

Exprimir com palavras o amor por um filho é um pretensiosismo a que me vou furtar, pois qualquer ensaio pecaria por incompleto.
Assim, pouso a pena – ou melhor, desligo o computador – e corro a abraçar-te, querida filha, para te demonstrar o quanto te amo!
Obrigada por teres vindo encher a minha vida de luz, paz e amor!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Roda da sorte

- Roda outra vez? – perguntava-lhe a bonita feirante morena, com um sorriso franco e sedutor estampado no rosto.
Mas Tiago não a ouvia, hipnotizado que ficara com aquela circulação contínua que oferecia peluches baratos como prémio.
Quantas vezes sentira já a sua própria vida girar assim, ao sabor da sorte, fechando-se ciclo após ciclo, voltando tudo a fazer sentido depois do caos.
- Roda outra vez?... – insistiu a morena.
Sim, estava disposto a tentar a sua sorte; rodaria ao sabor da roda até ao dia do juízo final.

domingo, 23 de setembro de 2012

Outro outono

Cai a primeira folha e, nela, uma palavra. Atrás desta, mais outra e outra, formando-se um verso.
O sol ainda brilha, mas mais suave, realçando os vermelhos e dourados da paisagem.
Os frutos maduros de verão, já colhidos, são convertidos em compotas para, no inverno, avivar na memória as doçuras do calor.
Folha atrás de folha, verso atrás de verso, assim se vai compondo o poema da vida.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Fim de linha da Esperança

A vida era dura com Esperança.
Sempre o fora, e não dava mostras de estar disposta a alterar o seu desígnio.
A pobre, estoicamente, ia aguentando a sua sina, à espera de um sinal de mudança.
Um dia, porém, cansada de tanta dureza, decidiu não esperar que mudasse o sinal da passagem de nível e pôs um ponto final na sua história.
A vida, por fim, já não dura…

domingo, 16 de setembro de 2012

Raúl

- Tirem-me daqui! Tirem-me desta vida miserável! – gritava Raúl amiúde, desesperado, descabelando-se e afogando-se no seu próprio ranho.
Até que, um dia, sonhando em sono profundo, ouviu a voz da razão que lhe dizia:
- Sai tu daí…

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Nascimento

Recebeu o presente com gratidão e humildade.
Era uma dádiva, uma oportunidade única, que não se repete. Sabia-o. Tinha-o bem presente no seu espírito, determinado a sorver cada trago de vida que lhe era servido no cálice da existência.
Despediu-se da escuridão húmida que o cercava, deixou-se levar num último impulso e abriu os olhos para a vida.

domingo, 2 de setembro de 2012

Nova página

Cheira a fim de festa. As cortinas descem sobre o palco, e os ventos da mudança sopram anunciando uma nova etapa.
Sabe a desconhecido, há borboletas na barriga e expetativas a preencher.
Serenamente, os rios continuam a correr, as marés a mudar, o sol a nascer e a pôr-se.
Cada ciclo flui, e do seu fluir se constrói a vida.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Estória sem fim

- Que bem-educado é o seu filho!
A mãe, orgulhosa, anuía afetadamente, sentindo o reconhecimento pela sua obra.
Ruben fora criado com a mais estrita educação, num mundo de regras, em que o que “parecia mal” tinha que ser evitado, nem que custasse a própria vida!
Havia quem comentasse (por brincadeira) que o rigor do exército ficava muito aquém daquele método, que se tratava de uma educação mais britânica que a da Grã-Bretanha!
O pequenito lá ia crescendo, convencido de que tudo era como lhe ensinavam, sempre pendente das opiniões e conselhos alheios. Era tudo aquilo que os outros queriam que ele fosse, menos aquilo que ele queria ser.
Chegará algum dia a descobrir que pode ser ele próprio a viver a sua vida?

domingo, 19 de agosto de 2012

Loucura total

Diziam que Genoveva era louca.
Ela própria o sabia, e ria, ria como louca ao pensar na loucura daqueles que assim a etiquetavam.
Os bens materiais nada lhe interessavam, ainda que fosse proprietária de um avultado património – só podia ser louca!
Sim, era louca. Amava a vida com loucura, vivia intensamente as suas paixões, e apaixonava-se por coisas simples, como o sorriso de uma criança, ou o sulco marcado num rosto que já viu muitos anos passarem.
No dia em que os seus olhos se fecharam, lúcida como nunca, fez o balanço da sua vida e, com um último sorriso, um pouco louco, festejou o fato de ter aproveitado loucamente a vida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Verdadeiramente amiga

Chamaste-me chorona; e eu dei-te uma estalada.
Mas era verdade: eu chorava, porque não queria ir para a escola.
“Há certas verdades que não se devem dizer” – advogava eu com a filosofia dos meus tenros seis anos de idade.
Quando somos inexperientes é assim: a verdade magoa, porque fere o nosso egoísmo natural.
Os anos passaram e fomos crescendo juntas. As tardes de verão no jardim, os passeios junto ao rio, as alegrias e tristezas sempre partilhadas.
A tua presença amiga, sempre serena e tranquila, sempre pronta a escutar-me… e a dizer-me as verdades, o que hoje te agradeço, do fundo do meu coração!

15/08/1976 – ...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Heureca

Encerrada no seu laboratório de pesquisa, rodeada de uma irreal alvura asséptica, Rebeca sentia que o seu trabalho não era estéril.
Horas e horas a fio dedicadas àquele projeto, totalmente alheada da realidade, entre pipetas e tubos de ensaio. Noites mal dormidas no sofá do corredor. Equações e cálculos solucionados apesar de serem impossíveis de solucionar.
E Rebeca sempre impassível, metódica, resiliente… Sentia que estava a escassos momentos de alcançar o seu objetivo: a criação de lentes que apenas permitiam ver o lado bom da vida.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Do peito

Olhos nos olhos. Um momento só nosso.
A prova de que a harmonia pode sobrepor-se ao caos que nos rodeia, e o desígnio da vida ganhar uma outra dimensão. Bem mais simples e natural.
No meio da ciência, de tanto conhecimento, bem mais simples seria não pensar, e deixar o instinto que nos trouxe até aqui indicar o caminho.
Amamentar é intemporal; é assim desde os primórdios: alimentar é dar amor.

01/08/2012 – Dia Mundial e Semana Mundial do Aleitamento Materno

terça-feira, 31 de julho de 2012

Partidas da idade

A idade é muito mais que a passagem do tempo.
É ir vendo partir aqueles que se ama; e ir partindo também aos poucos, face à perda de capacidades.
É ir ficando cansado de aceitar a mudança como algo inevitável, e procurar o descanso na prometida eternidade.
É ir perdendo a força de lutar, o enleio; ver o horizonte estreitar-se, até deixar de ser infinito.
A vida como uma passagem…

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Coisas

Ele havia coisas do diabo! Entre coisas e loisas, havia sempre de aparecer alguma coisa para atormentar o Gaspar…
Devia rondar os quarenta, mais coisa menos coisa, mas parecia mais velho.
Um dia, farto de tudo e mais alguma coisa, decidiu desistir: atirou com uma coisa à cabeça, e teve morte instantânea.
Coisas da vida…

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Passe de mágica

Passam os dias, as horas, os anos.
Passam as alegrias, as penas, os sonhos.
Passam uns pelos outros, por vezes sem se verem; por vezes sem se tornarem a ver.
Passa o passado, o presente, o futuro, fugazmente, e o passageiro, apeado, descobre, espantado, que a vida passou sem ele a ver passar.

domingo, 8 de julho de 2012

De pequenino...

- Mãe, mãe… o mar veio e destruiu o meu castelo!
- Pois, meu filho… a vida é assim.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Vida (ir)real

Abel levantou-se de rompante e correu a buscar o computador. Tinha que partilhar aquela novidade bombástica nas redes sociais!
O mundo virtual e o mundo real confundiam-se, na sua vida.
Quase cada passo que dava era noticiado publicamente, com fervor e entusiasmo, como se o eterno movimento da Terra disso dependesse, e como se o mundo girasse à sua volta...
Publicou a recém-criada novidade e suspirou aliviado. Olhou então, distraidamente, pela janela aberta, indiferente ao bulício fervilhante da cidade…
Que prolixa era a sua imaginação!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Malmequer

Margarida abriu o frigorífico e, com um arrepio, encontrou-o tão vazio como a sua própria existência.