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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Reflexões

Tenho pensado muito sobre o dia de hoje…
Tenho pensado, sobretudo, na desilusão que sentirão aqueles que predisseram o fim do mundo baseando-se numa interpretação ignorante da sabedoria Maia; como ficarão desapontados por o seu vaticínio não se concretizar!
Penso também nessa angústia tão terrível que a incerteza sobre o fim causa, e que leva a esta necessidade de marcar uma data para o seu encontro… O desconhecido é certamente assustador, se não o aceitamos com naturalidade.
Certo é que a morte é certa. Um dia, serenamente, haveremos de a encontrar… até lá, só existe o presente.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Credo

Tomé tinha uma inabalável ausência de fé.
Acreditava em que as religiões eram um sucedâneo dos mitos ancestrais, criadas pelos homens apenas para explicar aquilo que não entendiam e para regular a vida em comunidade. Respeitava todos os credos, mas nenhum deles professava.
Talvez por isso todos lhe tenham dado crédito quando, certo dia, apareceu em praça pública a gritar:
- Meus irmãos, a solução para os males do mundo é que nos aproximemos de Deus!...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Comunicando…

O avô observava o neto ao computador, enquanto dormitava na cadeira de braços. Que tanto escreveria ele?
- Que fazes, Diogo?
- Estou a publicar fotos das férias na rede de amigos…
- E tu já viste as deles?
- Quero lá saber disso!...
- Então, mas achas que eles estão interessados nas tuas?
- Não!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Verdade des(en)coberta

As decorações natalícias já alegram a casa!
O pinheiro e o presépio são os reis do salão, e os fios brilhantes dão um ar de gala a cada recanto. Da aparelhagem de som, emana um sonoro lá-lá-lá-lá-lá, misturado com sinos e vozes infantis.
O cheiro a açúcar e canela purifica o ar, e evoca o sabor das guloseimas que estão a ser preparadas.
O pequeno Rui brinca em frente à televisão, questionando-se se o Pai Natal terá recebido atempadamente o seu pedido… Distraidamente, vai ouvindo também as notícias; até que… não pode ser! Os seus olhos esbugalham-se num misto de surpresa e pânico; corre para a cozinha (a mãe é sempre um reduto seguro):
- Mãe! Mãe! É verdade que não existe… – nem consegue falar, com a excitação! – a obrigação de o Estado nos dar tudo o que queremos?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Espírito natalício

Todos pareciam ter tido a mesma ideia de Natália: adiantar as compras natalícias!
O bulício dos passos apressados, o rumor dos sacos a roçarem-se, a histeria coletiva centrada em conseguir o melhor presente pelo mais baixo preço…
E Natália envolta por este frenesi, ela própria inquieta por completar a lista que levava na mão.
Até que um som claro, límpido e harmonioso encheu o ar frio: um grupo de músicos começara a tocar melodias de natal, em plena rua.
Natália parou, muitos outros pararam, e o verdadeiro espírito de Natal pôde então reinar; a beleza da arte sobrepôs-se ao consumismo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Gratidão

Sempre que se lembrava que já pensara outras vezes que as coisas não poderiam piorar mais, erguia as mãos para o céu e agradecia a desgraça atual!

sábado, 17 de novembro de 2012

Receita para todos os dias

Esta semana foi movimentada, tumultuosa, quer na vida do país quer na minha. Talvez por isso tenha andado algo agitada, procurando satisfazer as solicitações dos afazeres, mas incapaz de lhes dar resposta cem por cento satisfatória…
Pelo meio, ouviu-se falar muito de direitos, menos de deveres; reclamou-se contra o que falta, esqueceu-se o que de bom temos; falou-se muito e escutou-se pouco, como é aliás apanágio neste país de doutos doutores.
Confesso que gosto pouco de me envolver em polémicas; prefiro viver a minha vidinha, aproveitando o que de bom tenho e lutando pelo que me falta, grata pelo que já consegui alcançar. Sim é verdade: a ambição não consta dos meus atributos… e nem lhe sinto a falta!
É positivo querermos ultrapassar-nos a cada dia, mas sem atropelar os outros e a nós mesmos, sabendo aproveitar o que já alcançámos, ou viveremos em permanente insatisfação.
O segredo é um pouco o de fazer omeletes sem ovos, e o resultado pode ser surpreendente, querem ver?
No meio da confusão de que vos falei, tive no frigorífico, durante dois dias, as partes finas de dois pequenos bacalhaus, já demolhadas, esperando tempo e paciência para serem desfiadas e congeladas. Sobrevivente de uma salmonela na infância que sou, começava a temer pela qualidade e segurança alimentar do dito bacalhau…
Costumo fazer amiúde, quando o frio chega, uma receita de lasanha de bacalhau com cogumelos e brócolos que encontrei nos meus primórdios de cozinheira. O resultado é sempre bastante apreciado! Resolvi aplicar o imbróglio que tinha no frigorífico neste prato.
Sorte malvada! – o improviso tem destas coisas… – não havia cogumelos nem brócolos disponíveis para completar a receita! Resignei-me a prescindir dos cogumelos e decidi substituir os brócolos por espinafres, crente de que o resultado seria igualmente apreciado.
Pois é… mas também se tinham acabado os espinafres! Tive que me virar e, criativamente, deitar mão à prata da casa.
Descasquei alguns dentes de alho e piquei-os; cortei cebolas em meias luas finas e um alho francês em rodelas. Fiz um estrugido com estes ingredientes, introduzindo-os nesta mesma ordem, e alegrei-o com cenoura raspada. Juntei finalmente o bacalhau desfiado, temperei com sal, pimenta branca e noz moscada e reduzi a temperatura, de modo a permitir que os sucos dos ingredientes se libertassem e misturassem lentamente. Cheirava bem na cozinha!
À parte, cozi as placas de lasanha, para ser mais rápido depois, no forno.
Quando o estufado estava quase no ponto, juntei meio pacote de grelos congelados, e deixei-os cozinhar um pouco. Fiz então nevar farinha sobre a mistura e acrescentei um pouco de leite (pouco, mesmo, porque se me colocavam sérias dúvidas acerca do resultado do casamento entre grelos e leite…).
Montei a lasanha, alternando as placas de massa com o aromático recheio e queijo da ilha, de cheiro e paladar intensos e francos, como o é o povo açoriano. Foi ao forno a gratinar.
O resultado foi excelente!
Se me tivesse deixado abater por não dispor de todos os ingredientes que queria usar, jamais teria conseguido fazer o jantar em tempo útil! Ao invés, arregacei as mangas, pus a cabeça a funcionar e rentabilizei os recursos de que dispunha, em prol do meu objetivo.
Em lado algum – nem sequer na Constituição – está escrito que a vida é fácil. O que sim está escrito, na natureza das coisas, é que devemos fazer o possível por facilitar as nossas vidas.
Vá lá: experimentem esta receita!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Diálogo

- Emprestas-me o jornal?
- Queres ver os classificados?
- Não; os resultados dos jogos sociais.
- Ah, pensei que estavas à procura de emprego…
- Não! Estou à procura de dinheiro...

domingo, 11 de novembro de 2012

Esfera vital

No constante movimento do devir, cada ciclo se repete.
A cada passo, a chegada regressa à partida e parte para alcançar de novo o mesmo fim.
Pequenos nadas mascaram esta monotonia circular, enfadonha mas necessária, pois no girar do destino não há lugar a desvios, exceto na reta final…

sábado, 27 de outubro de 2012

Cientista culinária

Talvez seja um resquício da irreverência da juventude… esta minha mania de não seguir receitas à risca.
Agora que me deixei de lutar contra moinhos de vento – ou, o que será mais consentâneo com a realidade atual: contra aerogeradores de aproveitamento de energia eólica – ainda assim, dou por mim sempre a cair na tentação de fugir aos preceitos dos mestres de culinária…
A idade acalma-nos, mas também nos ensina a ter sentido crítico e a interpretar a realidade através dos nossos olhos. Simplesmente, temos mais serenidade para aceitar o que não podemos mudar e mais inteligência e capacidade de intervenção para mudar o que pode ser mudado.
Se tudo estivesse já criado e previamente estipulado, a vida perderia a sua cor. Se, por um lado, é bom contar com a segurança da rotina, são os imprevistos e as surpresas que dão tempero à nossa experiência.
Por isso gosto sempre de adaptar as receitas, de lhes dar o meu toque pessoal, de fazer da cozinha o meu laboratório de experiências (já que nunca tive gosto ou vocação por dedicar-me a qualquer outro).
Esta receita é inspirada numa que vi na televisão pública espanhola no outro dia. Ora experimentem:
Temperem filetes de pescada mais ou menos do mesmo tamanho (dois por comensal) com sal, pimenta e sumo de limão. Deixem-nos banquetear-se com esses sabores durante pelo menos meia hora.
Peguem num filete e, sobre ele, coloquem uma fatia de mortadela de perú com azeitonas e uma tira de pimento vermelho assado. Tapem com outro filete e, com cuidado para não desmanchar a “sande”, passem por farinha de trigo, a seguir por ovo batido e, por fim, por pão ralado, tendo o cuidado de ir selando os bordos com o polme. Dá trabalho, eu sei! Mas o resultado compensa!
Fritem em óleo bem quente e acompanhem… com o que quiserem!
Ah! E…  não façam exatamente assim: inovem!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Por vocação

Adorava crianças! Desde que ela própria era também criança e embalava docemente as suas bonecas, como se fossem seres reais.
Cresceu com a firme convicção de que, um dia, viria a ser educadora de infância. E tudo fez, até que alcançou o seu intento!
Pela vida fora, teve a alegria de realizar o seu sonho. Criou, passo a passo, dezenas de crianças, com profissionalismo, mas também com carinho e devoção.
A todas viu crescer e evoluir… a todas, menos aos seus próprios filhos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Petisco de opinião

Salvo melhor opinião, sou de opinião de que hoje se opina demasiado…
Cada um tem sempre uma opinião sobre tudo, e todos são de opinião que têm que dá-la.
Isto ainda que ninguém esteja interessado em ouvir essa opinião, seja porque é de outra opinião, seja porque pertence àquela faixa da população “não sabe/não responde” das sondagens que, pura e simplesmente, não tem opinião.
Se querem saber a minha opinião – e se não querem também! – sou de opinião que se deveria agir mais, e opinar menos...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vivalma

O ataúde foi colocado no comprido carro negro e, sobre ele, as palmas e coroas de belas flores de tons suaves que haviam levado alguma vida ao velório.
- Belas flores! – pensou Adosinda, ao ver passar o carro. – O meu não vai ser assim… O dinheiro mal chega para o caixão! Ah, o dinheiro compra tudo…
Tão absorta estava que nem se deu conta de que ninguém acompanhava aquele opulento adeus.
Malaquias morrera só, tal como vivera; uma vida baseada na ânsia de fazer fortuna.
Alcançara o seu sonho; e levava flores… sim, levava, tal como deixara escrito, mas nada mais levava: nem o dinheiro, nem as memórias felizes de uma vida partilhada…

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cara-metade

Vanessa vivia nessa ilusão novelesca de encontrar um príncipe encantado.
Sonhava com a sua chegada, não num corcel de negro pelo lustroso, mas sim num automóvel topo de gama, acabado de estrear. (Nisso era bastante terra a terra!)
Imaginava-o a tomá-la nos braços, e a resgatá-la da monotonia dos dias, levando-a para um palacete junto ao mar.
Era pois com esta bitola que procurava a sua cara-metade. E era assim que deixava de conhecer bem mais de metade das caras interessantes que com ela se cruzavam no dia a dia…

domingo, 30 de setembro de 2012

Sem tentativas

- Nunca consigo! – pensava amiúde.
Por isso, já nem tentava!
E, o que é certo, é que, de facto… nunca conseguia…

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O emigrante

Manuel decidiu emigrar. Acabava de descobrir a sua faceta aventureira e, embora com algum temor, ansiava experimentar uma nova vida.
Pensou em escolher um país mais rico e desenvolvido, onde poderia alcançar um nível económico superior e usufruir de modernidade e desenvolvimento.
Sim… chegou a pôr essa hipótese; mas depois de uma reflexão profunda, apercebeu-se de que não era isso que ambicionava.
Meteu o indispensável numa mala e rumou às montanhas tranquilas de um país longínquo, na expetativa de vir a ser adotado por uma aldeia tribal.

domingo, 16 de setembro de 2012

Raúl

- Tirem-me daqui! Tirem-me desta vida miserável! – gritava Raúl amiúde, desesperado, descabelando-se e afogando-se no seu próprio ranho.
Até que, um dia, sonhando em sono profundo, ouviu a voz da razão que lhe dizia:
- Sai tu daí…