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domingo, 23 de dezembro de 2012

De acordo?

Que falta de atenção a minha!
Só a três dias do final deste blogue é que me apercebi de que me falta colocar aqui a indicação:
“Ainda que com o meu desacordo, este blogue é escrito de acordo com o acordo ortográfico acerca do qual ainda falta chegar a acordo e com o qual a maioria está em desacordo”.
Pensando melhor, ainda bem que só agora escrevi isto, pois a confusão é tal que poderia ter espantado os meus queridíssimos leitores!
Com acordo ou sem acordo, continuem desse lado… de acordo?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Circo da vida

Senhoras e senhores, meninas e meninos! Benvindo ao circo da vida, respeitável público!
Temos feras e outros animais, domadores, palhaços… muitos palhaços!
E a maior atração do espetáculo: os ilusionistas: far-vos-ão acreditar que tudo é mais complexo que o que realmente é, hipnotizar-vos-ão até que façais tudo o eles ordenam, escravos das suas vontades; dar-vos-ão poder ilusório, e logo vos subjugarão com as suas capacidades superiores de ludibriar…  
Arriscado número – é verdade! – pois pode o feitiço virar-se contra o feiticeiro…
Mas é esta a magia do circo!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Presépio no séc. XXI

- Matilde, porque puseste só a Maria no presépio?
- Porque este ano Jesus foi passar o Natal com o pai…

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pecado (muito) original

Era uma vez Adão e Eva…
(Continuem a ler, por favor, porque esta história parece já ter sido contada, mas tem muito de novo para contar.)
Viviam os dois num inferno de dívidas, dúvidas e outras complicações. A cada passo, eram tentados pelas falácias e falinhas mansas dos meios de comunicação, que viam o mundo por eles, limitando-se a debitar nos seus cérebros pouco exercitados a informação que criavam a seu bel-prazer.
E eles (sobre)viviam. A sua existência até podia ter sido pacata, mas a selva da cidade devorara-os, e o consumismo e as línguas alheias comandavam a sua vida.
Um dia, apesar de o dinheiro escassear, gulosa, Eva decidiu comprar maçãs importadas para a sobremesa, daquelas grandes, vermelhas e brilhantes. Aziaga ideia! Adão engasgou-se com um pedaço, e fez tanto barulho com a atrapalhação, que foram os dois expulsos do seu T0 arrendado!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O dia seguinte

Começaram com beijos quentes, logo ardentes; ora um abraço arrebatado, ora um mais terno. Juras e promessas… de amor eterno. O rodopio dos sentidos… até ao êxtase final!
E mais juras, e promessas, e beijos, como se não houvesse amanhã…
Mas o dia seguinte amanheceu, indiferente à paixão dos amantes.
- Como termina esta história de amor?
Como tantas outras: na farmácia…

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Petisco de intervenção


Adolfo era um defensor acérrimo da liberdade de expressão!
… sempre e quando as opiniões coincidissem com a sua…

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Desfile alegórico do séc. XXI

Desfila em primeiro lugar um esqueleto andrógino, envergando trapos de um criativo misógino.
Segue-se, em contraste, um monte disforme de gordura sobre duas pernas igualmente obesas, fruto de uma gula incontida.
Igualmente digno de nota é o executivo ganancioso que não controla o relógio, pois é movido pela sede de fazer fortuna. Workaholic confesso.
Rindo-se deste, o beneficiário de prestações sociais, “Chico esperto” de profissão, reclamando devido aos cortes da austeridade.
Destaca-se ainda o artista, sonhador, habitante apenas corpóreo da selva urbana do presente…

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ilusão de ótica

Amava-o com toda a sua alma. Era o homem perfeito, o sonho impossível tornado realidade.
É certo que, por vezes, ele era um pouco brusco… mas era apenas uma manifestação da sua virilidade… por isso perdoava-o… e amava-o cada vez mais.
Que saudade sentira, daquela vez que passara uma semana no hospital… por causa de um acesso de fúria que ele tivera… coisas passadas!
As outras, por inveja, diziam-lhe que era um pesadelo que vivia, e não um sonho.
Desprezava-as, e seguia em frente sem jamais se dar conta de que aquilo não era amor: era masoquismo!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cavalheiro andante

A parangona acusava, de forma genérica: “Já não há homens como antigamente!”.
Vitor sentiu-se ofendido e injustiçado com tal asserção. Era um homem educado e sensível, pelo que decidiu assumir a tarefa de mostrar ao mundo, e sobretudo às mulheres, que o pasquim estava equivocado.
Começou desde logo: ao ver uma jovem equilibrada nuns saltos altíssimos e carregada de sacos aproximar-se da porta do prédio, correu a abri-la:
- Eu seguro-lhe a porta! – disse prazenteiro.
Os olhos da jovem inspecionaram-no de alto a baixo, com desprezo:
- Acha que não sei abrir uma porta?!
Desculpou-se gaguejando, pensando de si para si:
- Bolas! Já não há é mulheres como antigamente…

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A semana de Fernando

Fernando contabilizava os dias para que chegasse o fim de semana!
Um, dois, três, quatro, …
Detestava ter horários, a rotina, as obrigações; havia tanto, tão mais interessante, para ser feito! Ah, se não fosse pelo vil metal...
Chegava finalmente a sexta-feira: bebia até não mais poder, esquecendo-se de si e da vida, num qualquer bar da moda onde todos diziam divertir-se.
Sábado passava-o a dormir, fazendo a ponte entre a ressaca da noite anterior e a dessa noite…
Domingo era um dia deprimente: véspera de segunda! Por isso, mal saía da cama.
Assim era a semana de Fernando.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O convencido

Convencer os outros era a sua profissão.
Daniel fazia vender-se o mais banal dos produtos como uma preciosidade rara, e transformava os serviços mais prosaicos em imprescindíveis benefícios.
Era um dom, pois nem era especialmente inteligente nem propriamente criativo.
Conseguia era ser tão convincente que chegara a convencer-se a si próprio de que conseguia convencer os outros!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Objetiva(mente)

Viajar sempre foi o sonho de infância de Alcina.
Pragmática, tudo empreendeu para realizá-lo e, pacientemente, esperou que a sua conta bancária se tornasse sua cúmplice no seu objetivo.
Amealhado algum pecúlio, deixou tudo para trás e foi gozar o seu capricho.
Comprou uma boa máquina fotográfica, pois queria trazer recordações de cada momento.
Regressou com centenas e centenas de fotos que documentavam a sua passagem por mil e um lugares!
Quando, porém, lhe perguntaram que memórias trazia, que cheiros guardara, que sensações recolhera…  apercebeu-se de que, objetivamente, se limitara a ver tudo através da objetiva…

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Estória sem fim

- Que bem-educado é o seu filho!
A mãe, orgulhosa, anuía afetadamente, sentindo o reconhecimento pela sua obra.
Ruben fora criado com a mais estrita educação, num mundo de regras, em que o que “parecia mal” tinha que ser evitado, nem que custasse a própria vida!
Havia quem comentasse (por brincadeira) que o rigor do exército ficava muito aquém daquele método, que se tratava de uma educação mais britânica que a da Grã-Bretanha!
O pequenito lá ia crescendo, convencido de que tudo era como lhe ensinavam, sempre pendente das opiniões e conselhos alheios. Era tudo aquilo que os outros queriam que ele fosse, menos aquilo que ele queria ser.
Chegará algum dia a descobrir que pode ser ele próprio a viver a sua vida?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Raimundo

Como descrever Raimundo?
Talvez dizendo que se achava o rei do mundo… Sim, ele era presumido, egoísta, e estava plenamente convencido de que a Terra girava em seu torno, ao invés de em torno do Sol!
Se precisava de parar o carro no meio da rua, à porta da loja a que se dirigia, embaraçando o trânsito, fazia-o, sem hesitar.
Se precisava de passar à frente de outras pessoas, em filas, avançava com ar confiante. Como era corpulento e mal-encarado, as pessoas evitavam confrontá-lo, resignando-se.
Também em matéria de relacionamentos agia com indiferença e frieza, ignorando os sentimentos das jovens tontas a quem facilmente seduzia.
Certo dia, leu algures uma palavra que lhe era totalmente estranha, e ficou a matutar sobre ela. Chegado a casa, foi pesquisar o seu significado no dicionário: “P”…, “Q”, “R”… “Respeito”...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Dá Deus nozes..."

A fila do supermercado era longa e avançava lentamente. Patrícia aproveitava o tempo dando uma vista de olhos a uma revista cor-de-rosa. Gostava de ficar a par dos bonitos vestidos, dos penteados da moda e, sobretudo, dos amores dos famosos, que vivenciava como se fossem seus.
Há anos estava só. Não quisera ainda a sorte que um príncipe encantado lhe batesse à porta…
Um movimento na fila chamou a sua atenção; mais atrás, um elegante rapaz conversava carinhosamente com a namorada a quem, a cada passo, mimoseava com um beijo. Patrícia observou-os com uma pontinha de inveja. A dada altura, porém, ao pressentir mais uma carícia, a jovem repeliu o namorado, com enfado.
Patrícia suspirou, e voltou a mergulhar os olhos na revista.

terça-feira, 10 de julho de 2012

"Bela com Senão"

O sabão Senão prometia o que o tempo já não permitia.
E elas acreditaram, determinadas em lutar contra a própria pele!
A ciência debruçou-se então, com afinco, na descoberta de um soro para rejuvenescer o espírito…

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Perdidos na metrópole

Aviso: Este petisco é potencialmente indigesto. No entanto, se soubermos tirar dele o devido ensinamento, poderá funcionar como uma espécie de óleo de fígado de bacalhau: sabe mal, mas faz bem.

Ontem descobri que, nos tempos de crise que correm, tenho a sorte de poder poupar dinheiro num bem essencial.
Em Tóquio, nessa grande e evoluída metrópole de quase treze milhões de habitantes, alugam-se “amigos”! Para tomar um copo num bar, ao final da tarde, mostrando aos colegas de trabalho que se é popular, para engrossar a lista de convidados para a boda, para conversar, …
Alugar um “amigo” é mais triste que estar só! A solidão pode ser uma forma de autoconhecimento, de aproximação do “ser”.
Alugar um “amigo” é uma manifestação do “ter”; o dinheiro tudo pode; a aparência tudo vale.
O real desvanece-se perante o virtual, e o “Homem” perde-se irremediavelmente de si mesmo, ali, no meio da grande metrópole.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo Antoninho do séc. XXI

Vivalda entrou na velha catedral com um diáfano véu branco a cobrir-lhe, pudicamente, os compridos cabelos negros; ajoelhou-se e benzeu-se com devoção, frente ao altar-mor.
O pesado órgão de tubos tocava, enchendo o espaço de harmonia e paz; a luz coada pelos vitrais iluminava com mil cores a dura pedra cinzenta.
A visita de Vivalda tinha como alvo o altar de Santo António. Foi para lá. O bondoso santo fitava-a, paternalmente, com o menino sobre o livro, numa mão, um lírio na outra.
- Santo Antoninho, perdoa-me por voltar a importunar-te… Sabes que és o meu santo preferido, e que confio em ti, pois já me ajudaste outras vezes… Por favor, arranja-me um bom marido! É que o quinto divórcio já foi há um mês…

13/06/2012 – Dia de Santo António

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ambientação

O engenheiro Humberto estava saturado de, dia após dia, desempenhar as mesmas monótonas funções, ver as mesmas caras, e viver naquele ambiente de cortar à faca.
Decidiu nessora cortar com o passado, e mudar de ambiente.
Rapidamente se ambientou ao novo trabalho, numa fábrica altamente produtiva. Trabalhavam, orgulhosamente, vinte e quatro horas por dia, aumentando assim as chorudas contas dos acionistas. Os trabalhadores, mais ou menos satisfeitos, agradeciam o ter trabalho, e o ambiente até era bom.
Um dia porém, ao olhar inadvertidamente para o ambiente de trabalho de um computador, o engenheiro Humberto sentiu-se maravilhado com a belíssima paisagem natural que lhe servia de fundo. Aquela imagem despertou em si uma paz e alegria que há muito desconhecia.
E só então que percebeu como o ambiente é verdadeiramente importante.

05/06/2012 – Dia Mundial do Ambiente

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um lugar ao sol

Talento e competência não lhe sobejavam, é certo; minguavam, até, mas para algo lhe havia de servir o estatuto social!