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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O presente

Sempre adorei o Natal! A magia da festa, os cheiros, a ansiedade pelos presentes, os pequenos jogos em família, o aconchego do lar… Tenho ótimas recordações dos natais da infância!
De há uns anos para cá, porém, o Natal é também saudade e nostalgia; por isso, transformou-se num misto de alegria e tristeza.
Creio que é mesmo assim! O tempo passa, crescemos, sofremos, aprendemos, e parte da magia jamais voltará. O desafio é, pois manter viva a criança livre, ingénua e feliz, ávida pela noite de Natal, que guardamos na memória.
O Natal do passado, aos poucos, vai sendo complementado e substituído por novas pessoas, novas tradições, novos momentos.
De há uns anos para cá, sou a anfitriã no Natal. Os doces são gentilmente confecionados pelos demais comensais, pois esse não é o meu forte na cozinha. Eu trato do bacalhau e do peru!
Na noite de Natal, o bacalhau chega à mesa com todos: as batatas cozidas com casca, a cenoura, as pencas robustas, os grelos viçosos, os ovos e os nabos. E o azeite é presença obrigatória, para enriquecer e colorir o prato com o seu dourado festivo.
Para o dia de Natal, recheei já pernas de peru desossadas, com farinheira. Atei em rolo, e temperei com uma pasta de azeite, alhos, sal, tomilho, colorau e pimenta preta, que preparei no meu almofariz novo!
Vou assá-las em forno lento, regando-as com vinho branco, e serão bem acompanhadas por batatinhas também assadas, temperadas singelamente com sal e colorau, e uma salada colorida, para alegrar a mesa.
Adoro os cheiros a canela e frutos secos! Adoro ver as travessas cheias de doces tradicionais, o queijo beirão a derreter na tábua de queijos, as garrafas de vinho e espumante nacionais a passar de mão em mão… Esta é a festa por excelência dos petiscos!
E hoje, em especial, a festa tem outro sabor: o meu presente de Natal é a concretização do meu objetivo do ano de publicar uma mensagem por dia neste blogue!
O blogue termina aqui. Obrigada a todos que o seguiram e que partilharam as suas sensações comigo e com os demais leitores.
Outros projetos estão já a caminho… o novo ano também. Porque o mundo gira, em contínuo!
Devorem a vida!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Omeletroika

Já que passámos o ano entroikados, não poderia terminar esta minha saga literário-gastronómica sem esta receita de autor, de minha autoria!
A omoletroika é uma reinvenção da popular omelete, inspirada nos princípios de austeridade da benfeitora troika que nos tem ajudado emprestando dinheiro a juros altíssimos (estilo: pôr a dívida pública a levedar…).
Bom, mas para não entrar em polémicas político-económicas e porque lamúrias não pagam dívidas, volto à minha criação.
Devo começar por revelar que, à semelhança de um dos refrigerantes mais consumidos em todo o mundo, tratou-se de uma invenção fortuita.
Tudo começou quando decidi fazer umas bolachinhas de queijo natalícias, seguindo uma receita da grande mestre da culinária que foi e é Maria de Lurdes Modesto, e dei por mim a ficar com uma clara e um ovo batido quase inteiro (de pincelar as bolachas) como desperdício.
No tempo dos nossos avós, em que a comida e o dinheiro escasseavam, nada se deitava fora e do pouco se fazia muito. “Nuestros hermanos”, por exemplo, até faziam “tortillas” (omeletes de batata) sem ovos… Eu não fui tão longe, mas decidi seguir estes ensinamentos e… nada mais fácil: juntando a clara ao resto do ovo, e acrescentando uma fatia de mortadela, criei a omeletroika!
Em trinta e tantos anos, esta é a terceira vez que Portugal necessita de apoio financeiro internacional: digam lá se fazer como eu e seguir os ensinamentos da experiência não nos teria poupado muitos dissabores?
(Lá voltei eu à política!...)
Rumando a uma abordagem médico-nutricional: esta minha criação marca pontos em termos de redução do consumo de gorduras, pois é na gema que estas se concentram!
Por isso, não se diga que por causa da crise se come pior! Alguns dos alimentos mais saudáveis são os mais baratos! Qualquer nabo (!) em matemática é capaz de verificar como fica em conta um bom prato de sopa!
É claro que lavar e descascar os vegetais dá mais trabalho que tirar uma embalagem de comida pré-confecionada e coloca-la no micro-ondas… mas, isso, é outra crise… bem mais difícil de solucionar que a financeira: a crise de valores e de prioridades…

sábado, 15 de dezembro de 2012

“Está no blogue!”

Este blogue é um dos meus objetivos para 2012. Começou por ser um exercício, uma forma metódica de pôr em prática e exercitar a minha paixão pela escrita.
Mas, quando escrevemos, as palavras ganham vontade própria, e levam-nos por caminhos que inicialmente não havíamos planeado trilhar. Assim foi com os meus petiscos: de uma ideia vaga e algo indefinida do que viriam a ser, transformaram-se numa espécie de divã de psicanalista, diário público do meu dia-a-dia, dos meus humores, das minhas sensações, de situações vivenciadas.
Ao mesmo tempo, com as receitas de sábado fui fazendo um apanhado sistemático dos sabores que tão amiúde saem da minha cozinha! Agora, cada vez que organizo um evento cá em casa, dou por mim a verificar que o que vou preparar: “está no blogue!”, “está no blogue!”, “está no blogue!”…
Mas como a cozinha, a escrita, a vida em geral estão em constante movimento, há que experimentar novas receitas. Esta é uma delas.
Coze-se um ramalhete bem verdinho de brócolos em água e sal  ou despeja-se o conteúdo de uma embalagem de brócolos congelados num pirex com tampa e vai ao micro-ondas para cozinhar (menos poético mas mais pragmático!).
À parte, mistura-se, batendo com a vara de arames: cebola picada, cenoura raspada, cogumelos, os brócolos já cozinhados, dois ovos e um brick de natas light. Tempera-se com sal, pimenta e um pouco de noz-moscada.
Verte-se este conteúdo sobre uma forma redonda forrada com massa quebrada.
Et voilà! Esta será uma das receitas cá do blogue que, a par de algumas das já tradicionais, amanhã desfilará na minha cozinha!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Fiel-amigo

Será que a tradição ainda é o que era?
Nestes tempos difíceis em que estamos todos mais ou menos entroikados (sim, a palavra existe!), verifico que até o fiel-amigo já não parece tão amigo como costumava…  Na verdade, ao preço a que o bacalhau está, é caso para dizer: “com amigos assim, quem precisa de inimigos!”.
Amigo ou inimigo, o bacalhau é e sempre será extremamente versátil. Diz-se que há mil e uma maneiras de cozinhá-lo, e eu acredito, porque a criatividade não conhece limites!
Para mim, o suprassumo é o bacalhau com todos, mas esse ficará para daqui a algumas semanas. Por agora, vou aproveitar as partes mais finas do bacalhau da consoada (que já está garantido) para fazer um prato simples e delicioso.
Brejeiro, diz o refrão da cantiga que “o bacalhau quer alho”, e eu subscrevo. Por isso, começo por alourar meia dúzia de dentes, picados, em azeite abundante, pois este é outro companheiro indissociável do bacalhau.
Ao mesmo tempo, coloco uma embalagem de grelos congelados no micro-ondas, dentro de um pirex, para que se cozinhem. Neste aspeto, respondendo à minha questão inicial, a tradição já não é o que era; o pragmatismo fala mais alto! Reconheço que o ideal teria sido ir ao mercado bem cedinho, escolher o molho de grelos mais viçoso da banca, arranjá-lo e lavá-lo cuidadosamente, e vê-lo “desaparecer” na panela durante a cozedura… O mundo não é perfeito, e eu muito menos!
Estando os alhos já dourados, junto o bacalhau demolhado e desfiado, tempero com pimenta branca e noz-moscada e deixo suar, em lume brando.  Passados alguns minutos, acrescento os grelos já cozinhados e junto sal.
À parte, esfarelo miolo de broa um pouco seca e junto-lhe azeite.
Deito a mistura do bacalhau e dos grelos num recipiente que possa ir ao forno e coloco por cima a capa dourada de broa e azeite. Vai ao forno a alourar.
Enquanto espero, e abro uma garrafa de um bom vinho tinto alentejano para que vá respirando, sou forçada a pensar: sim a tradição ainda é o que era, e não há troika ou “quatroika” que nos tire a sabedoria de criar e apreciar estes verdadeiros tesouros gastronómicos!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Etimologia gastronómica

Como metódica cientista culinária que sou, antes de pesquisar, devo colocar uma hipótese: será que a palavra “diospiro” deriva de suspiro (“spiro”) de Deus (“dio”)?
O outono sempre foi uma estação que me atraiu, e é-o cada vez mais. Há algo de nostalgicamente belo na libertação das folhas maduras das árvores, no anúncio da chegada do frio, na antevisão do natal, … E há ainda os frutos típicos da época, cujas cores acompanham os tons de que se veste o chão: o castanho das castanhas e os vermelhos dos diospiros e das romãs.
O diospiro é um fruto sublime, que me fascina!
Pego num bem vermelho, arredondado, com o corpo ainda firme mas prestes a ceder a um movimento menos cuidadoso. Aprecio o toque da sua pele, lisa, uniforme e brilhante, enquanto o passo por água.
Retiro-lhe o pé verde-escuro, já um pouco seco, porque o fruto está no ponto de ser degustado.
Retiro uma parte da pele com suavidade, para que aquela doçura não se desfaça sob os meus dedos, e mergulho os lábios na polpa doce, como quem dá um beijo guloso.
Hum…
Neste momento, já nem me lembro do meu trabalho de cientista, pois as sensações táteis, olfativas e gustativas tomaram conta de mim; as sensações sobrepostas ao racional, num regresso às origens, num simples fruir de uma delícia generosamente oferecida pela natureza…

sábado, 24 de novembro de 2012

Pequenas doçuras

Ao longo da vida, tenho falado para diversos públicos, mais ou menos alargados, sobre os mais variados temas. Já falei em palestras, tribunais, exames, convívios,… Nunca porém havia tido uma assistência tão atenta, generosa, e doce como tive esta semana: um grupo de crianças de quatro anos!
A curiosidade ávida, a participação ativa, o desejo de aprender e partilhar saberes, a humildade de se admitir a ignorância, a generosidade de agradecer o que nos é oferecido, … Foi um banquete de ensinamentos e transmissão de valores, que me levou à conclusão de que tudo seria bem mais fácil, e o mundo um sítio melhor, se conseguíssemos manter as puras caraterísticas das crianças durante toda a vida.
Em homenagem àquelas pequenas doçuras, hoje o petisco serão salsichas com ovos e batatas fritas!
Os leitores ortoréxicos estarão já, certamente, arrepiados, mas peço-vos que me perdoem este guloso pecado, porque saber transgredir certas regras de vez em quando é tão importante como saber segui-las.
Um pedido de desculpas também àqueles leitores que esperavam encontrar aqui receitas gourmet muito elaboradas, daquelas que têm designações enormes, e em que desconhecemos o significado de metade dos nomes… Essa não é a minha cozinha!
Começo por ir fritando as batatas aos palitos, em óleo bem quente, para que fiquem estaladiças. Entretanto, à parte, vou fritando as salsichas num pouco de azeite quente e, por fim, preparo os ovos numa pequena frigideira antiaderente apenas untada com azeite.
Para completar o “pecado”, enfeito o prato com uma fatia de fiambre e outra de queijo!
Ah! Mas, pequenitos: isto só é para comer depois de saborear uma boa sopa de vegetais, e com a promessa de uma frutinha à sobremesa…

sábado, 17 de novembro de 2012

Receita para todos os dias

Esta semana foi movimentada, tumultuosa, quer na vida do país quer na minha. Talvez por isso tenha andado algo agitada, procurando satisfazer as solicitações dos afazeres, mas incapaz de lhes dar resposta cem por cento satisfatória…
Pelo meio, ouviu-se falar muito de direitos, menos de deveres; reclamou-se contra o que falta, esqueceu-se o que de bom temos; falou-se muito e escutou-se pouco, como é aliás apanágio neste país de doutos doutores.
Confesso que gosto pouco de me envolver em polémicas; prefiro viver a minha vidinha, aproveitando o que de bom tenho e lutando pelo que me falta, grata pelo que já consegui alcançar. Sim é verdade: a ambição não consta dos meus atributos… e nem lhe sinto a falta!
É positivo querermos ultrapassar-nos a cada dia, mas sem atropelar os outros e a nós mesmos, sabendo aproveitar o que já alcançámos, ou viveremos em permanente insatisfação.
O segredo é um pouco o de fazer omeletes sem ovos, e o resultado pode ser surpreendente, querem ver?
No meio da confusão de que vos falei, tive no frigorífico, durante dois dias, as partes finas de dois pequenos bacalhaus, já demolhadas, esperando tempo e paciência para serem desfiadas e congeladas. Sobrevivente de uma salmonela na infância que sou, começava a temer pela qualidade e segurança alimentar do dito bacalhau…
Costumo fazer amiúde, quando o frio chega, uma receita de lasanha de bacalhau com cogumelos e brócolos que encontrei nos meus primórdios de cozinheira. O resultado é sempre bastante apreciado! Resolvi aplicar o imbróglio que tinha no frigorífico neste prato.
Sorte malvada! – o improviso tem destas coisas… – não havia cogumelos nem brócolos disponíveis para completar a receita! Resignei-me a prescindir dos cogumelos e decidi substituir os brócolos por espinafres, crente de que o resultado seria igualmente apreciado.
Pois é… mas também se tinham acabado os espinafres! Tive que me virar e, criativamente, deitar mão à prata da casa.
Descasquei alguns dentes de alho e piquei-os; cortei cebolas em meias luas finas e um alho francês em rodelas. Fiz um estrugido com estes ingredientes, introduzindo-os nesta mesma ordem, e alegrei-o com cenoura raspada. Juntei finalmente o bacalhau desfiado, temperei com sal, pimenta branca e noz moscada e reduzi a temperatura, de modo a permitir que os sucos dos ingredientes se libertassem e misturassem lentamente. Cheirava bem na cozinha!
À parte, cozi as placas de lasanha, para ser mais rápido depois, no forno.
Quando o estufado estava quase no ponto, juntei meio pacote de grelos congelados, e deixei-os cozinhar um pouco. Fiz então nevar farinha sobre a mistura e acrescentei um pouco de leite (pouco, mesmo, porque se me colocavam sérias dúvidas acerca do resultado do casamento entre grelos e leite…).
Montei a lasanha, alternando as placas de massa com o aromático recheio e queijo da ilha, de cheiro e paladar intensos e francos, como o é o povo açoriano. Foi ao forno a gratinar.
O resultado foi excelente!
Se me tivesse deixado abater por não dispor de todos os ingredientes que queria usar, jamais teria conseguido fazer o jantar em tempo útil! Ao invés, arregacei as mangas, pus a cabeça a funcionar e rentabilizei os recursos de que dispunha, em prol do meu objetivo.
Em lado algum – nem sequer na Constituição – está escrito que a vida é fácil. O que sim está escrito, na natureza das coisas, é que devemos fazer o possível por facilitar as nossas vidas.
Vá lá: experimentem esta receita!

sábado, 10 de novembro de 2012

Quentes e boas

Chove lá fora. O vento sopra, arrastando as folhas douradas; o termómetro já se retraiu bastante, e do verão restam apenas as memórias.
Vejo as gotas coladas à vidraça e agradeço por estar do lado de dentro! Ainda assim, um arrepio de frio insiste em percorrer o meu corpo. Preciso de algo calórico que me aqueça dos pés até à alma!
Nesta época do ano, recordo sempre o conto “ A Floresta”, da magnífica Sophia de Mello Breyner, pois, tal como a sua protagonista, também me chamo Isabel.
Dado que a vida real é sempre bem mais prosaica que a literatura, ao invés de me embrenhar na floresta para apanhar os ouriços, dirijo-me à cozinha e retiro um punhado de castanhas da cesta da fruta. Já sem picos, é claro, e compradas no supermercado, como só poderia ser na vida de uma personagem urbana!
Dou-lhes um golpe no seu corpo robusto, e deito-as num tabuleiro, sobre uma cama glamorosa de papel de alumínio. Espalho sal grosso por cima, generosamente, e rego com um fio de ouro líquido (vulgo azeite). Levo-as ao forno, assim que este esteja  bem quente.
Entretanto, ponho um CD de música clássica na aparelhagem de som e elejo um bom livro. Pego num cálice e na garrafa de jeropiga, e agarro a manta mais quente e macia da casa. Ainda com tudo na mão, espreito o forno e, observando as castanhas, penso deleitada:
- Como vamos ficar quentes… e boas…

sábado, 3 de novembro de 2012

Delírio de chocolate

Quando era criança, desejava ver chegar o dia em que seria capaz de cozinhar os petiscos de que mais gostava. Pensava eu, na altura – inocente desconhecedora dos pérfidos avisos das balanças – que assim poderia saboreá-los sempre que me aprouvesse. Incluíam-se no rol as batatas fritas, esparguete à bolonhesa e algumas doçarias, entre as quais a mousse de chocolate.
O tempo passou e os segredos da cozinha revelaram-se-me. No entanto, quando crescemos, por vezes esquecemos os sonhos de criança e, talvez por isso, nunca tinha feito mousse de chocolate, até esta semana…
Se tivesse sabido, teria antecipado esta experiência! Foi algo de sublime, de poético, de fortemente estimulante!
Poderá parecer algo esquizofrénico que, no meio do rebuliço de preparar uma festa para cerca de vinte pessoas alguém consiga deleitar-se como me deleitei com a preparação de uma mousse de chocolate, mas… eu sou assim! É essa a minha paixão pela cozinha e pelas sensações!
Comecei com aquele arrepiozinho de quem desconhece como vai correr algo que fará pela primeira vez, e o frémito da antecipação do resultado final.
A receita indicava que se deveria começar por bater as gemas com o açúcar.
Separei religiosamente cada clara incolor da sua gema cor do sol e acrescentei o alvo açúcar que, ao cair na taça, como que sussurrava. Misturei-os até aquela perfeita união se transformar num creme amarelo claro, aveludado, perfeito.
À parte, transformei as desinteressantes claras numa nuvem branca, fofa e doce, batendo-as em castelo com uma colher de açúcar.
Derreti então chocolate amargo com uma colher de sopa de manteiga. Aos poucos os nacos grosseiros da barra de chocolate fundiram-se e deram origem a um creme escuro, espesso, com um aroma indiscritível.
A este momento, sentia-me já num estado de puro fascínio, impressionada com as sensações visuais e olfativas que experimentava.
Juntei então o chocolate derretido ao creme de ovos, maravilhando-me com aquele contraste entre o amarelo suave e o castanho forte. Aos poucos, o castanho sobrepôs-se ao amarelo e o aroma tornou-se ainda mais inebriante…
Por fim, incorporei a nuvem de claras e o êxtase místico foi completo! Ali estava, perante mim,  a tão desejada mousse de chocolate, fruto do meu labor!
Hoje, da mousse já só resta a memória… que aqui fica imortalizada!

sábado, 27 de outubro de 2012

Cientista culinária

Talvez seja um resquício da irreverência da juventude… esta minha mania de não seguir receitas à risca.
Agora que me deixei de lutar contra moinhos de vento – ou, o que será mais consentâneo com a realidade atual: contra aerogeradores de aproveitamento de energia eólica – ainda assim, dou por mim sempre a cair na tentação de fugir aos preceitos dos mestres de culinária…
A idade acalma-nos, mas também nos ensina a ter sentido crítico e a interpretar a realidade através dos nossos olhos. Simplesmente, temos mais serenidade para aceitar o que não podemos mudar e mais inteligência e capacidade de intervenção para mudar o que pode ser mudado.
Se tudo estivesse já criado e previamente estipulado, a vida perderia a sua cor. Se, por um lado, é bom contar com a segurança da rotina, são os imprevistos e as surpresas que dão tempero à nossa experiência.
Por isso gosto sempre de adaptar as receitas, de lhes dar o meu toque pessoal, de fazer da cozinha o meu laboratório de experiências (já que nunca tive gosto ou vocação por dedicar-me a qualquer outro).
Esta receita é inspirada numa que vi na televisão pública espanhola no outro dia. Ora experimentem:
Temperem filetes de pescada mais ou menos do mesmo tamanho (dois por comensal) com sal, pimenta e sumo de limão. Deixem-nos banquetear-se com esses sabores durante pelo menos meia hora.
Peguem num filete e, sobre ele, coloquem uma fatia de mortadela de perú com azeitonas e uma tira de pimento vermelho assado. Tapem com outro filete e, com cuidado para não desmanchar a “sande”, passem por farinha de trigo, a seguir por ovo batido e, por fim, por pão ralado, tendo o cuidado de ir selando os bordos com o polme. Dá trabalho, eu sei! Mas o resultado compensa!
Fritem em óleo bem quente e acompanhem… com o que quiserem!
Ah! E…  não façam exatamente assim: inovem!

sábado, 20 de outubro de 2012

Petisco bem à portuguesa

Leitores amigos, o petisco que estava a engendrar para hoje ficará para outro dia, pois preciso de partilhar convosco o manjar que foi o meu almoço!
A crise está aí, é impossível passar ao lado dela, mas tal não é necessariamente sinónimo de comer pior. Pelo contrário, poderá ser uma oportunidade de sermos consumidores mais conscientes, e levar-nos a adotar uma alimentação mais saudável.
Claro está que é bem mais simples ir à arca das refeições pré-confecionadas e tirar uma para o almoço, ou escolher alimentos pré-preparados, mas o preço – financeiro e para a saúde – será sempre mais alto que se, inteligentemente e sem medo de um pouco mais de trabalho, escolhermos os frescos da época e os ingredientes parcelares.
Palavras à parte, os meus jaquinzinhos fritos com arroz de feijão estavam de se lhe tirar o chapéu!
Comprei-os ontem, bem frescos, aproveitando uma promoção de uma grande superfície. De manhã, arranjei-os e temperei-os simplesmente com sal grosso.
Fui então aproveitar o sol com que este sábado nos abençoou, e ver o mar. (Comer bem também não é, de todo!, sinónimo de ser “escrava da cozinha”.)
De regresso a casa, enquanto o óleo para fritar os jaquinzinhos aquecia, descasquei um dente de alho e uma cebola e fiz um estrugido para o arroz. Juntei uma caixinha de feijão vermelho cozido que tinha no congelador, e voltei-me novamente para os pequenos carapaus.
Fui passando-os por farinha, para que não se colassem ao fritar, e comecei a mergulhá-los no óleo quente.
Entretanto, acrescentei água ao refogado de feijões e, quando levantou fervura, acrescentei o arroz.
Jaquinzinhos e arroz sincronizadamente prontos, passamos à degustação… Digo-vos: só sobraram as espinhas!
À sobremesa, uma boa fatia de melão casca de carvalho.
Quando se come assim, dá gosto ser português!

sábado, 13 de outubro de 2012

O peixe das princesas

Talvez este seja o primeiro conto de fadas culinário da história dos contos de fadas, ou talvez apenas uma “salada russa” de pequenas memórias… Veremos o que sai!
Era uma vez uma menina que não gostava de salmão. Provava uma e outra vez, e não havia forma de apreciar o seu sabor intenso.
Essa menina era muito sonhadora, e adorava histórias de castelos, bravos príncipes a cavalo e belas princesas de longos cabelos louros. Talvez por isso, cedo se tenha enamorado pela Inglaterra, suas lendas e tradições.
Com entusiamo, a menina sonhadora seguiu o casamento da bela princesa Diana – uma princesa real! – na televisão, e, com o passar dos tempos, viu crescer o seu sonho de conhecer Londres.
O sonho veio a tornar-se realidade, e quis o destino que, num pequeno restaurante em Knightsbridge, o salmão grelhado se lhe revelasse um prato saboroso a repetir!
Desde então, essa menina – já feita mulher – adora fazer salmão grelhado, temperado com sal e alecrim.
Passaram-se os anos e, hoje, uma vez mais, quer o destino que as histórias do salmão e das princesas se entrecruzem, quando a nossa menina que não gostava de salmão diz a uma outra menina, como ela sonhadora, que o salmão é o peixe das princesas, devido à sua cor.
E assim a pequena o saboreia, deliciando-se com o seu sabor e a magia imortal da fantasia.

sábado, 6 de outubro de 2012

Romeu & Julieta

Descansem, leitores, descansem, que não vos espera o amargo de boca de virem aqui ler um plágio da magnífica obra homónima de Shakespeare. Para mim, o plágio é a forma mais vil de se lisonjear um autor. Cada um deve escrever conforme o seu dom, e essa diversidade é que vai condimentar e enriquecer a literatura.
Este “Romeu & Julieta”, bem docinho e menos trágico que o original, é nada mais nada menos que uma sobremesa servida sob este epíteto em diversos restaurantes!
E nada mais simples de preparar: uma boa fatia de queijo, a gosto do comensal, e uma doce fatia de marmelada, de preferência caseira!
Podia dar-vos a receita da marmelada, pois já ma disseram diversas vezes, mas… vou contar-vos um segredo: sou muito preguiçosa para fazer doces e petiscos cuja confeção leve muito tempo, pelo que prefiro esperar que alguém partilhe comigo uma tacinha da sua lavra!
Nestes dias, em que anonimamente se “partilha” tanta coisa nas redes sociais, este “partilhar” tradicional tem, para mim, um sabor muito próprio. Aliás, uma das coisas que mais aprecio receber são produtos frescos, acabadinhos de sair da terra de alguém que os cultivou com carinho e a quem sobram.
Partilhem! Receitas, petiscos e… sempre: sorrisos!

sábado, 29 de setembro de 2012

Francesinha!

Para terminar em beleza o mês, e assim formar uma trilogia “Norte-Sul”, em complemento às duas passadas semanas, hoje a Francesinha é a rainha!
Considerada uma das dez melhores sanduíches do mundo, recebeu o nome em homenagem ao seu inspirador, o francês “croque-monsieur”.
Existem muitas receitas e variantes, sendo que esta não é, de todo, a original. Mas que fica boa posso garantir! Foi uma grande amiga – a que fazia os scones, que recordo com tanta saudade! – quem a partilhou comigo, pelo que a faço sempre com um carinho especial.
Começando pelo molho – que podemos fazer a mais para congelar – faz-se um estrugido leve, com (o sempre imprescindível) azeite, alho e cebola. Junta-se então polpa de tomates bem maduros, e deixa-se apurar.
Passamos a embriagar o molho (mais tarde, será ele a ter a oportunidade de nos inebriar a nós!): meia garrafa de cerveja e um cálice de Porto. Tempera-se, a gosto, com piri-piri, sal e uma folha de louro.
Deixa-se reduzir até obter um molho aveludado e ligeiramente espesso. Pouco antes de atingir o ponto desejado, podemos usar a varinha mágica para que não se sintam os pedacinhos de alho e cebola (não façam como eu que, certa vez, me esqueci de tirar a folha de louro!).
Passando à “sanduíche”, torram-se quatro fatias de pão de forma, e grelham-se bifes tenros, temperados com sal.
Num prato fundo, colocam-se duas fatias de pão de forma. Por cima, uma fatia de fiambre e/ou mortadela, o bife grelhado, linguiça, salsichas e cogumelos. Este é o recheio que utilizo habitualmente, porém, a imaginação é o limite! Existem francesinhas de camarão, vegetarianas, de carne assada – a minha preferida! –, …
Tapa-se com as outras duas fatias da pão e cobre-se com muito (!) queijo fatiado.
Colocam-se palitos em cada canto da sanduíche e também no centro. Vai a gratinar e, antes de servir, coroa-se com uma azeitona verde espetada no palito do centro, e banha-se com o maravilhoso molho, bem quente.
Esta Francesinha é… irrésistible!

sábado, 22 de setembro de 2012

Pastelinhos de Belém

Depois de uma noite em que as notícias sobre o Conselho de Estado no Palácio de Belém encheram os nossos noticiários, falemos de Belém numa perspetiva… bem mais doce!
É consabido que, na política, anda tudo atrás dos tachos, e que a técnica culinária mais utilizada é a falácia. Pois bem, hoje proponho-me seguir essa arte de cozinhar!
O Pastel de Belém é o exemplo acabado de como algo pequeno e simples pode revelar-se delicioso.
Depois de visitar a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos e o Mosteiro dos Jerónimos, para alimentar o intelecto e, simultaneamente, abrir o apetite físico, corremos até à Rua de Belém, 84, único local onde se podem encontrar os verdadeiros Pastéis de Belém. Aí chegados, instalamo-nos numa das acolhedoras salas sobriamente decoradas em azul e branco, e aguardamos para fazer o nosso pedido.
Dizem os (gulosos) entendidos que é impossível comer apenas um pastelinho, por isso, mais vale pedir logo dois!
A louça condiz com o ambiente: azul e branca. Sobre ela, massa folhada fina, firme e estaladiça serve de cama a um suave e algo fluido creme, cujo sabor evoca as memórias do leite-creme da nossa infância.
Antes porém de ceder à tentação de devorar aquelas delícias, devemos polvilhá-las com canela e açúcar em pó, pois ficam ainda mais saborosas.
Esta receita dos Pastéis de Belém, obviamente, não o é, pois esta que é uma das “Sete Maravilhas Gastronómicas de Portugal” tem o seu segredo bem guardado na “Oficina do Segredo” da fábrica que a produz há 175 anos.
Mas digam lá se não tenho jeito para a política, digo, para a culinária: quase vos convenci de que sabia a receita!

sábado, 15 de setembro de 2012

Prego?

A discórdia faz parte da natureza humana. Será talvez um resquício refinado das lutas ancestrais pela sobrevivência; cultiva-se um “ódio de estimação” para afirmar a supremacia face ao outro. E só os mais fortes sobrevivem!
Por terras lusitanas, é consabida a rivalidade entre a cidade invicta e a das sete colinas, é dizer: entre o Porto e Lisboa. Duas cidades belíssimas, abençoadas pela água de rios e do oceano, com um património cultural e arquitetónico maravilhosos e uma gastronomia fantástica!
São porém muito, muito diferentes, sendo que da diversidade é que advém a riqueza das coisas. Começam as diferenças nos regionalismos linguísticos:
Se apetecesse ao leitor um prego, em Lisboa? Ou tinha que fazê-lo, ou tinha que pedir… um bitoque! Para que não corra riscos, deixo-lhe a minha receita:
Compre um bife bem, bem tenro, e tempere-o com alho, pimenta e vinho branco (o sal só entra no momento em que a carne estiver a ser cozinhada!). Para tornar o prato um pouco menos calórico, em vez de seguir a tradição e fritar o bife, prefiro grelhá-lo.
Ao mesmo tempo, vou transformando batatas em palitos amarelinhos e crocantes, que tempero com sal depois de fritos!
Num esforço de sincronização, estrelo ovos noutra frigideira, com bastante óleo.
Coloco o bife num prato com o ovo estrelado em cima, rodeado pelas batatas fritas e, porque os olhos também comem, enfeito o petisco com uma fatia de fiambre e outra de queijo, enroladas, e azeitonas pretas.
A sobremesa terá que ser bem leve! Fruta, de preferência. E para terminar?
- Um cimbalino ou uma bica?

sábado, 8 de setembro de 2012

Melão & Milão!

A cozinha italiana é magnífica! As pastas, o azeite, o tomate, as ervas aromáticas, tudo magistralmente combinado; para degustar em boa companhia, e acompanhado por um bom vinho tinto, numa esplanada, em simpáticas mesas com toalhas aos quadrados, ao som de La Traviata...
Um quadro delicioso!
Milão é uma das cidades a visitar: il Duomo, as galerias Victor Emanuel, … Fica na agenda! Até lá, viajo por um dos seus sabores: os bifes à milanesa, cá entre nós mais conhecidos por “panados”!
As voltas que eu dei para trazer uma simples receita de panados! Mas sabem, é um dos pratos favoritos cá de casa, e que associo a uma ementa “familiar”, com cheiro a recordações.
Gosto de temperar os bifes com a máxima antecedência, com pimentas, louro, ou tomilho ou outra erva aromática, bastante alho picado, vinho branco ou limão. Se os bifes forem de carne de vaca, só coloco o sal imediatamente antes de cozinhá-la, caso contrário, acompanha os demais temperos.
Antes da (maçadora, convenhamos!) tarefa de panar os bifes, seco-os. Deixo sempre ficar o alho, truque da mãe de um ex-ministro que este partilhou uma vez num programa de televisão – e ainda dizem que os políticos não dizem nada de jeito! Olhem que fica bem bom!
Passo os bifes por ovo batido e bastante pão ralado. Frito-os em óleo bem quente, até ficarem tostadinhos e crocantes.
Acompanhá-los com arroz de feijão vermelho oferece uma refeição perfeita, mas também são deliciosos numa simples sande, ou com batatas fritas ou pasta!
- E o melão?
- O melão fica para a sobremesa!

sábado, 1 de setembro de 2012

À nora com restos da sogra

Dizem que as sogras “isto”, as sogras “aquilo”… Até apelidaram de “língua da sogra” aquele apito irritante que se usa nas festas e que, quando soprado, faz desenrolar uma longa faixa de papel. E também aquelas compridas bolachas de baunilha que se saboreiam na praia mereceram esse epíteto...
Será a língua da sogra assim tão comprida ou, por seu turno, sê-lo-á  a das noras?
Certo é – e muita gente o desconhece! – que quando se escolhe um marido dever-se-ia, outrossim, escolher a sogra. É que o divórcio permite que nos livremos do marido, mas os laços de afinidade que o casamento fez gerar com a família do fulaninho jamais se dissolvem! Ou seja, jurídica e civilmente, podemos ter mais que uma sogra! Algo assustador, para alguns leitores…
A minha sogra fez anos esta semana, e ofereceu um magnífico jantar em sua casa. A variedade era tanta que, apesar da qualidade dos petiscos, sobraram diversas iguarias. Eu, como adoro restos, não me fiz de rogada aquando da amável pergunta: “Queres levar algumas coisas para casa?”.
Entre o espólio da festa, contava-se uma caixa com camarão cozido, ao natural. Estava delicioso, mas apetecia-me variar o seu sabor. Piquei então uma pequena cebola, um dente de alho, e bastante salsa fresquinha. Acrescentei azeite e vinagre, e temperei com pimenta branca e um pouco de sal.
Uma receita bem mais simples que a questão que aqui fica: é ou não perigosa a língua da sogra?

sábado, 25 de agosto de 2012

“FIsh ‘n’ chips”

Talvez este “petisco” nem chegue a ser uma receita… será mais uma memória, um sabor guardado, uma paixão revisitada.
Neste verão, falou-se especialmente de Londres, devido aos Jogos Olímpicos.
Ao longo da minha vida, Londres começou por ser um sonho, depois uma realidade, e sempre uma paixão crescente. Porquê? Ora… As paixões não se explicam! Sentem-se, pura e simplesmente, provam-se e guardam-se na memória.
Um dos sabores tradicionais de Londres é o mítico “fish ‘n’ chips”, nada mais nada menos que filetes de peixe frito, envolto num polme, acompanhado por palitos de batatas fritas.
Recriando a receita, começo por temperar filetes de pescada com sal, pimenta e limão. Quanto maior a antecedência, mais os sabores do tempero se entranharão nos filetes…
Descasco as batatas, de preferência das de lavrador, ainda com cheiro a terra, ao invés das sensaboronas dos supermercados.
Preparo um polme com ovo batido, um pouco de cerveja branca, farinha e pão ralado (vamos lá a ver como sai!).
Começo então a realizar uma das tarefas da cozinha que menos aprecio: fritar! Numa frigideira, as batatas já cortadas aos palitos com a ajuda de um instrumento de cozinha engraçado que a minha avó me ofereceu há muitos anos; noutra, o peixe, envolto no polme.
Já me cheira a Londres! Por isso, faço um esforço para não me distrair, e vou escorrendo os fritos em papel de cozinha, sem esquecer de temperar as batatas, já fritas, com sal fino.
- Dinner is served! (1)

(1) “ - O jantar está servido!

sábado, 18 de agosto de 2012

O segredo...

Há receitas cujo segredo fica enterrado com o seu dono. Perde-se assim, para sempre, um sabor, um saber que podia ter sido partilhado e perdurar para além da vida…
O pão de ló da minha tia Guida é um desses exemplos; várias vezes a minha avó pediu à cunhada que lhe facultasse a bendita receita… mas nunca logrou obtê-la!
Eu tive mais sorte: esperei mais de um ano pela receita que quero hoje partilhar convosco, mas aqui a trago! E posso garantir, após várias experiências realizadas, que sai sempre bem.
É um rolo de carne recheado.
Começo por descascar alhos (na secreta esperança de que ninguém se aperceba da cacofonia!) e uma cebola. Alouro-os em azeite e, enquanto isso, embebo o miolo de um pão seco em dois tomates maduros, bem vermelhinhos, passados.
Pico a carne juntamente com um bom naco de chouriço de colorau, e coloco o picado numa taça. Acrescento o estrugido e o miolo de pão, e tempero generosamente com variados tons e sabores: sal, pimentas branca e preta, salsa, orégãos, noz moscada, …
Ligo tudo com uma gema de ovo.
Deito o preparado sobre uma folha de papel vegetal e dou-lhe a forma de um retângulo. Coloco fatias de queijo e fiambre por cima e, cuidadosamente, enrolo o retângulo sobre si mesmo.
O mais difícil da operação é o final: a passagem do rolo da bancada para a assadeira… Boa sorte!
Por cima do rolo, espalho ramos de tomilho o que, além de um bom sabor, dá um ar exótico ao assado!
Acompanho com batatas assadas com azeite e colorau, pimentos coloridos e outras saladas variadas, numa explosão de cores e sabores!