Mostrar mensagens com a etiqueta paradoxo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta paradoxo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de dezembro de 2012

De acordo?

Que falta de atenção a minha!
Só a três dias do final deste blogue é que me apercebi de que me falta colocar aqui a indicação:
“Ainda que com o meu desacordo, este blogue é escrito de acordo com o acordo ortográfico acerca do qual ainda falta chegar a acordo e com o qual a maioria está em desacordo”.
Pensando melhor, ainda bem que só agora escrevi isto, pois a confusão é tal que poderia ter espantado os meus queridíssimos leitores!
Com acordo ou sem acordo, continuem desse lado… de acordo?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Credo

Tomé tinha uma inabalável ausência de fé.
Acreditava em que as religiões eram um sucedâneo dos mitos ancestrais, criadas pelos homens apenas para explicar aquilo que não entendiam e para regular a vida em comunidade. Respeitava todos os credos, mas nenhum deles professava.
Talvez por isso todos lhe tenham dado crédito quando, certo dia, apareceu em praça pública a gritar:
- Meus irmãos, a solução para os males do mundo é que nos aproximemos de Deus!...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Comunicando…

O avô observava o neto ao computador, enquanto dormitava na cadeira de braços. Que tanto escreveria ele?
- Que fazes, Diogo?
- Estou a publicar fotos das férias na rede de amigos…
- E tu já viste as deles?
- Quero lá saber disso!...
- Então, mas achas que eles estão interessados nas tuas?
- Não!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Igual a si próprio?

Igor, que era um acérrimo defensor da igualdade na barra dos tribunais, nas horas vagas era uma barra nos passatempos de encontrar as diferenças…

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Gratidão

Sempre que se lembrava que já pensara outras vezes que as coisas não poderiam piorar mais, erguia as mãos para o céu e agradecia a desgraça atual!

domingo, 25 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

À descoberta do fim

A sua missão era tão secreta que ela própria, Engrácia, a desconhecia!
- Qual seria a grande obra a que estaria destinada? – questionava-se amiúde.
Com paciência de santa , esperava uma revelação divina. Nisto estava quando, subitamente, se deu a epifania; finalmente descobria a razão de ser de passar por este mundo!
Mas… um problema então se levantava: a missão era impossível!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Por vocação

Adorava crianças! Desde que ela própria era também criança e embalava docemente as suas bonecas, como se fossem seres reais.
Cresceu com a firme convicção de que, um dia, viria a ser educadora de infância. E tudo fez, até que alcançou o seu intento!
Pela vida fora, teve a alegria de realizar o seu sonho. Criou, passo a passo, dezenas de crianças, com profissionalismo, mas também com carinho e devoção.
A todas viu crescer e evoluir… a todas, menos aos seus próprios filhos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ilusão de ótica

Amava-o com toda a sua alma. Era o homem perfeito, o sonho impossível tornado realidade.
É certo que, por vezes, ele era um pouco brusco… mas era apenas uma manifestação da sua virilidade… por isso perdoava-o… e amava-o cada vez mais.
Que saudade sentira, daquela vez que passara uma semana no hospital… por causa de um acesso de fúria que ele tivera… coisas passadas!
As outras, por inveja, diziam-lhe que era um pesadelo que vivia, e não um sonho.
Desprezava-as, e seguia em frente sem jamais se dar conta de que aquilo não era amor: era masoquismo!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rapaz dos mil ofícios

Era um miúdo tão dotado que sabia fazer tudo o que quisesse!
Só ainda não sabia o que queria fazer…

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A semana de Fernando

Fernando contabilizava os dias para que chegasse o fim de semana!
Um, dois, três, quatro, …
Detestava ter horários, a rotina, as obrigações; havia tanto, tão mais interessante, para ser feito! Ah, se não fosse pelo vil metal...
Chegava finalmente a sexta-feira: bebia até não mais poder, esquecendo-se de si e da vida, num qualquer bar da moda onde todos diziam divertir-se.
Sábado passava-o a dormir, fazendo a ponte entre a ressaca da noite anterior e a dessa noite…
Domingo era um dia deprimente: véspera de segunda! Por isso, mal saía da cama.
Assim era a semana de Fernando.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Objetiva(mente)

Viajar sempre foi o sonho de infância de Alcina.
Pragmática, tudo empreendeu para realizá-lo e, pacientemente, esperou que a sua conta bancária se tornasse sua cúmplice no seu objetivo.
Amealhado algum pecúlio, deixou tudo para trás e foi gozar o seu capricho.
Comprou uma boa máquina fotográfica, pois queria trazer recordações de cada momento.
Regressou com centenas e centenas de fotos que documentavam a sua passagem por mil e um lugares!
Quando, porém, lhe perguntaram que memórias trazia, que cheiros guardara, que sensações recolhera…  apercebeu-se de que, objetivamente, se limitara a ver tudo através da objetiva…

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Questão (im)pertinente

- Papá, porque estás a apanhar sol se estás sempre a criticar as pessoas de pele escura?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Dá Deus nozes..."

A fila do supermercado era longa e avançava lentamente. Patrícia aproveitava o tempo dando uma vista de olhos a uma revista cor-de-rosa. Gostava de ficar a par dos bonitos vestidos, dos penteados da moda e, sobretudo, dos amores dos famosos, que vivenciava como se fossem seus.
Há anos estava só. Não quisera ainda a sorte que um príncipe encantado lhe batesse à porta…
Um movimento na fila chamou a sua atenção; mais atrás, um elegante rapaz conversava carinhosamente com a namorada a quem, a cada passo, mimoseava com um beijo. Patrícia observou-os com uma pontinha de inveja. A dada altura, porém, ao pressentir mais uma carícia, a jovem repeliu o namorado, com enfado.
Patrícia suspirou, e voltou a mergulhar os olhos na revista.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Heureca

Encerrada no seu laboratório de pesquisa, rodeada de uma irreal alvura asséptica, Rebeca sentia que o seu trabalho não era estéril.
Horas e horas a fio dedicadas àquele projeto, totalmente alheada da realidade, entre pipetas e tubos de ensaio. Noites mal dormidas no sofá do corredor. Equações e cálculos solucionados apesar de serem impossíveis de solucionar.
E Rebeca sempre impassível, metódica, resiliente… Sentia que estava a escassos momentos de alcançar o seu objetivo: a criação de lentes que apenas permitiam ver o lado bom da vida.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Olhos nos olhos

Martim via para além do que os outros viam.
Não que fosse vidente, ou tivesse poderes especiais; era apenas atento.
Por vezes, desejava não ver tão longe, limitar a sua compreensão a um palmo diante dos olhos, mas ia sempre mais além.
Algumas pessoas, intrigadas com o seu raro poder, evitavam-no (a ignorância sempre se sentiu ofuscada pela luz da inteligência).
Amiúde, Martim sentia que os seus pensamentos apenas eram compreendidos por Sascha, a sua cadela-guia…

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo Antoninho do séc. XXI

Vivalda entrou na velha catedral com um diáfano véu branco a cobrir-lhe, pudicamente, os compridos cabelos negros; ajoelhou-se e benzeu-se com devoção, frente ao altar-mor.
O pesado órgão de tubos tocava, enchendo o espaço de harmonia e paz; a luz coada pelos vitrais iluminava com mil cores a dura pedra cinzenta.
A visita de Vivalda tinha como alvo o altar de Santo António. Foi para lá. O bondoso santo fitava-a, paternalmente, com o menino sobre o livro, numa mão, um lírio na outra.
- Santo Antoninho, perdoa-me por voltar a importunar-te… Sabes que és o meu santo preferido, e que confio em ti, pois já me ajudaste outras vezes… Por favor, arranja-me um bom marido! É que o quinto divórcio já foi há um mês…

13/06/2012 – Dia de Santo António

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Um lugar no céu

Conceição benzia-se todas as manhãs, ao sair da cama, dando graças por mais um dia, e penitenciando-se pelos pecados da noite anterior.
Antes de ir para o trabalho, uma missinha no palmarés. Tendo comungado o sangue e corpo de Cristo, sentia-se superior aos seus impuros colegas de trabalho.
Persignava-se a torto e a direito e beijava efusivamente a cruz de bom ouro que trazia ao pescoço.
Toda ela transpirava fé e devoção.
Ia assim, modesta mas não desinteressadamente, dando a entrada para o seu lugar no céu...