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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Reflexões

Tenho pensado muito sobre o dia de hoje…
Tenho pensado, sobretudo, na desilusão que sentirão aqueles que predisseram o fim do mundo baseando-se numa interpretação ignorante da sabedoria Maia; como ficarão desapontados por o seu vaticínio não se concretizar!
Penso também nessa angústia tão terrível que a incerteza sobre o fim causa, e que leva a esta necessidade de marcar uma data para o seu encontro… O desconhecido é certamente assustador, se não o aceitamos com naturalidade.
Certo é que a morte é certa. Um dia, serenamente, haveremos de a encontrar… até lá, só existe o presente.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Fim do mundo

- É já amanhã que o mundo vai acabar! – aventam alguns entendidos.
Outros, fazem-se de desentendidos e, para aproveitarem mais uns diazitos por cá, adiam o evento até ao fim do mês.
Para muitos, até, o mundo já acabou; agora descansam em paz...
Certo é que o mundo acaba e começa a cada instante, desequilibra-se e reequilibra-se em nova harmonia, inventa-se e reinventa-se num ciclo infindável … porque algo bem superior ao arrogante e ingénuo Homem nos domina!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ondas silenciosas

O mar. Sempre o mar.
Mudam marés, o vento vira, mas o barco ancorado no cais descansa, impassível.
A miragem, o impossível, acenam do outro lado – que, de tão longe, nem se vê, mas está lá, para além das ondas; lá, onde o infinito e o horizonte começam e acabam...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Apocalipse

- Desculpe, sabe se é hoje o fim do mundo?
- Hum… acho que já foi ontem…

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Segunda oportunidade

Reinaldo estava decidido a pôr ponto final naquele assunto mas, à última hora, esticou, esticou, esticou o ponto, e transformou-o numa vírgula.

domingo, 14 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vivalma

O ataúde foi colocado no comprido carro negro e, sobre ele, as palmas e coroas de belas flores de tons suaves que haviam levado alguma vida ao velório.
- Belas flores! – pensou Adosinda, ao ver passar o carro. – O meu não vai ser assim… O dinheiro mal chega para o caixão! Ah, o dinheiro compra tudo…
Tão absorta estava que nem se deu conta de que ninguém acompanhava aquele opulento adeus.
Malaquias morrera só, tal como vivera; uma vida baseada na ânsia de fazer fortuna.
Alcançara o seu sonho; e levava flores… sim, levava, tal como deixara escrito, mas nada mais levava: nem o dinheiro, nem as memórias felizes de uma vida partilhada…

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Fim de linha da Esperança

A vida era dura com Esperança.
Sempre o fora, e não dava mostras de estar disposta a alterar o seu desígnio.
A pobre, estoicamente, ia aguentando a sua sina, à espera de um sinal de mudança.
Um dia, porém, cansada de tanta dureza, decidiu não esperar que mudasse o sinal da passagem de nível e pôs um ponto final na sua história.
A vida, por fim, já não dura…

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

União destruidora

Era uma vez a ignorância. Infeliz por natureza, centrada em si mesma, alheia ao mundo.
Certo dia, vagueando pela sua própria solidão, encontrou o medo, e enrabicharam-se, odiando-se profundamente, pois desconheciam a nobreza do amor.
Daquela terrível união nasceram a inveja e o egoísmo.
Durante largos séculos, ora abertamente ora dissimulados, governaram os desígnios do mundo. Muitos pereceram às suas mãos, padeceram infâmias, perderam a alegria de viver…
Até que um dia, lutando os quatro ferozmente entre si, acabaram por ser tragados pelas trevas, tremelicantes, esverdeados como a bílis, eternamente confinados à solidão.

domingo, 9 de setembro de 2012

Fogo-de-artifício

Naquela noite, no encerramento das festas da terra, haveria fogo-de-artifício.
- Tens de ir! – disseram-lhe as amigas.
Mas a Sara minguava-lhe o ânimo. Recordava como, na juventude, as cascatas de cores vivas evocavam-lhe sonhos e felicidade, e todo um mundo de esperança no futuro.
Hoje, porém, a curva descendente descrita pelas faíscas em queda recordavam-lhe apenas lágrimas, de dor, pela juventude e inocência perdidas.
Perdida nos seus pensamentos, constatou que a festa acabara.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sem memória

Ora se esquecia das chaves em casa, ora se esquecia da mala…
Esquecia-se de regar as plantas; esquecia-se (convenientemente!) das tarefas que lhe agradavam pouco.
Chegou um dia, e esqueceu-se dos outros; um dia mais, e esqueceu-se de si mesmo. Até que a sua própria memória caiu no esquecimento.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Só, sem milhões

Damião era ambicioso. Conseguira já alguma fortuna, mas persistia em perseguir pecúlio maior.
Não lograva ter sorte ao amor, pois o seu feitio egoísta afugentava potenciais pretendentes. Em contrapartida, tal como vaticina o sábio provérbio, tinha sorte ao jogo.
Naquela semana, havia “Jackpot” num popular jogo em que apostava sempre.
Ao conferir a chave do sorteio, foi sentindo o coração acelerar, pois cada número que verificava coincidia com o da sua aposta… Ia, finalmente, ser milionário! Concretizar o sonho da sua vida!
O coração acelerou, acelerou, acelerou… até que parou.

domingo, 1 de julho de 2012

Inc(d)olor

Teve uma existência sem cor.
O nevoeiro cerrado cercava sempre o seu prédio cinzento, junto a um rio cris, e o seu humor condizia com o tempo e o local onde habitualmente habitava.
O seu eterno companheiro – o cigarro – exalava um fumo pardo e desfazia-se em cinza, escrupulosamente recolhida por um cinzeiro.
Um dia, finalmente viu a luz, e as suas cinzas foram lançadas ao rio.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fim de festa

Fica aquele sabor agridoce, a ressaca.
As memórias ainda frescas arrastam-se em câmara lenta, na ilusão de assim perdurarem.
Foi bom mas acabou!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Jogo da Glória

Tal qual um jogo. Era assim que Glória perspetivava a vida.
Se havia dias em que avançava casas sem conta, em que tudo era prosperidade e abastança, outros chegavam subitamente, cinzentos, fazendo-a retroceder.
Levava tudo na desportiva.
Uma vez que outra, cruzava-se com algum peão, e partilhavam a mesma casa. Mas só até os dados serem novamente lançados; então, despedia-se alegremente, aceitando a sua sorte, sempre sem pressa de chegar ao fim. Havia ainda tanto para apostar!
À medida que o jogo avançava, o seu mais secreto e profundo desejo era poder regressar à casa de partida… e jogar outra vez desde o início!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais… ou menos.

Mais uma triste cerimónia fúnebre.
Menos um amigo à roda da mesa improvisada no jardim, debaixo das árvores.
Mais um ramo de flores, lágrimas, círios, missas…
Menos um ombro amigo onde descansar.
Mais uma perda.
A sua própria partida a menos distância…

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sonata vital

A primeira nota saiu desafinada, qual choro de recém-nascido.
De andamento em andamento, titubeante, foi ganhando confiança, até se tornar o maior músico da sua era.
Calado o último acorde, mergulhou no mais completo silêncio.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vi(d)a nova

Chegou o dia. Abriu a porta e saiu, sem olhar para trás.
Atrás de si deixava toda uma vida.
E a vida toda estava ainda à sua frente.
Seguiu em frente, sem saber bem para onde ia, mas certo de que ali não ficaria mais.
Mais tarde iria arrepender-se? Talvez. Mas, por certo, mais se arrependeria se nem sequer tivesse tentado!