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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Credo

Tomé tinha uma inabalável ausência de fé.
Acreditava em que as religiões eram um sucedâneo dos mitos ancestrais, criadas pelos homens apenas para explicar aquilo que não entendiam e para regular a vida em comunidade. Respeitava todos os credos, mas nenhum deles professava.
Talvez por isso todos lhe tenham dado crédito quando, certo dia, apareceu em praça pública a gritar:
- Meus irmãos, a solução para os males do mundo é que nos aproximemos de Deus!...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Iter

Não via o caminho… por mais que tentasse, apenas lhe eram devolvidas a escuridão e a incerteza. E titubeava; recusava-se a seguir em frente, com medo de cair.
Diziam-lhe que sim, que havia um caminho! Que o seguisse, mesmo que tivesse que voltar atrás para escolher outro… Escusado! Não via o caminho!
Até que abriu os olhos, e se deixou levar pelo coração…

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Descansa em paz

O dia estava a ser longo e penoso, mas Maria das Dores enfrentava-o com o habitual estoicismo e serenidade que a caraterizavam.
O corpo do marido jazia a poucos centímetros de distância, e as flores frescas iam-se amontoando em redor do esquife.
Davam-lhe os pêsames a cada passo, ora com mais sentimento, ora só por cortesia… E ela recebia-os, sempre com a mesma distância educada…
- Está arrasada! – comentavam.
- Amanhã será pior ainda, quando lhe faltar o nosso apoio e tiver que seguir com a vida… - murmuravam, olhando-a de soslaio.
Cumpridos todos os ritos da morte, Dores regressou a casa, depois de haver declinado, reconhecida, as ofertas para a acompanharem naquela noite:
- Prefiro estar só. – e todos respeitaram.
Abriu a porta da entrada e inalou longamente o silêncio profundo; percorreu cada cómodo vazio, cada recanto e então suspirou:
- Finalmente estou em paz!

domingo, 18 de novembro de 2012

À descoberta do fim

A sua missão era tão secreta que ela própria, Engrácia, a desconhecia!
- Qual seria a grande obra a que estaria destinada? – questionava-se amiúde.
Com paciência de santa , esperava uma revelação divina. Nisto estava quando, subitamente, se deu a epifania; finalmente descobria a razão de ser de passar por este mundo!
Mas… um problema então se levantava: a missão era impossível!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rapaz dos mil ofícios

Era um miúdo tão dotado que sabia fazer tudo o que quisesse!
Só ainda não sabia o que queria fazer…

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sair do armário

Juvenal estava decidido: ia comprar um armário sem gavetas!
As gavetas são perigosas…  acumulam ácaros, guardam velharias e memórias que fazem as lágrimas assomarem aos olhos; escondem assuntos cuja resolução adiamos indefinidamente…
Para os arrumadinhos, as gavetas servem para reforçar a sua neurose obsessiva pela ordem, impedindo-os de ver caminhos alternativos…
Inegavelmente, estava farto das normas e das regras!
Decididamente, tinha que assumi-lo!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Caminheira

Caminho pelo caminho.
E é passo a passo que se faz o caminho; pé ante pé, até à meta.
Meio caminho andado, o objetivo está mais próximo (se não levar caminho!).
Caminho, caminho e sigo caminhando, à espera de me encontrar no final.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Regresso

Já estive aqui sem estar.
Talvez noutra dimensão, noutro momento, mas conheço este lugar.
Será que as passagens se repetem?
Ou repetem-se as ideias e as memórias, mesmo sem as termos vivido?
Já estive aqui sem estar.
E partirei, para um dia voltar.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sabedoria experimental


- Mestre, porque é que antes de encontrar o caminho certo segui pelo errado?
- Porque só assim podes ter agora  a certeza de que este é que é o certo…

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A consulta

- Doutor, necessito de óculos!
- Façamos os testes e já o veremos...
- Mas Doutor, perguntaram-me numa entrevista onde me via daqui a dez anos, e não consegui ver-me!
- Meu caro, então você precisa é de ver a vida com outros olhos...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As duas amigas

Uma era loira, a outra morena, como na cantiga. Durante anos, seguiram de mãos dadas, a caminho da escola, com livros na mochila e sonhos no coração.
Confidências: mil; alegrias: muitas. Mais tarde, as zangas comuns de adolescentes...
Passado partilhado.
Caminho trilhado, ora juntas ora separadas, mas sempre mutuamente presentes na memória, com ternura e amizade.
16/04/1976 - ...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Introspeção

Encontrei-me no outro dia, por acaso, num canto do pensamento.
Conversámos longamente, como velhos amigos fazem e, no final, parti para ser quem sou.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Passo a passo

Titubeante, ensaiava os primeiros movimentos: rebolava inseguro, gatinhava desajeitadamente... Para deleite de todos!
Certo dia, ergueu-se lentamente, agarrado com unhas e (já alguns) dentes à borda do sofá!
Deu dois passinhos tímidos, e caiu - a primeira de muitas vezes na vida...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Dom perdido

Aquela urgência lenta que o consumia; aquela necessidade de chegar sem ter partido…
A busca incessante de algo, sem que descortinasse o quê… (talvez porque fosse apenas a procura de si próprio).
De sonhos era feita a sua alma.
As ações não eram para si; eram demasiado prosaicas e enfadonhas. O seu génio não se permitia perder-se em algo tão inútil!
Era superior! E só o mundo o não via…

sexta-feira, 23 de março de 2012

Nas asas de Neptuno

Mergulhou no passado e vagueou pelos sonhos de outrora.
A ingenuidade, a energia da juventude, a inocência perdida - tudo isto reviu nas águas ora tranquilas das recordações.
Descobriu-se algures nessas memórias, sem no entanto se reconhecer, porque hoje é outro! São diversos os sonhos, as aspirações, as fantasias...
Mas todo o caminho é necessário, e só quem mergulha pode voltar à superfície para ser livre, ser pássaro e voar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Na encruzilhada

Perante a encruzilhada, havia dois caminhos.
Na realidade, havia até mais, porque as oportunidades de caminho nascem à medida que caminhamos. Mas nada disso ela via.
Parara no tempo e no espaço, ensimesmada num abismo sombrio do qual não vislumbrava saída.
Os que a amavam - sim, porque não estava tão só como pensava! - carregavam-na ao colo, ignorando, ainda que sem maldade, que dessa forma apenas reforçavam o seu estado asténico de paralisia.
Talvez optar por um caminho e seguir em frente pelos nossos próprios pés seja sempre o caminho mais difícil... talvez... mas é o único!